Bandeiras que fincam

Andei pelo meu bairro, cada bandeira na janela, doía, doía dentro daqui, como hastes fincadas, não apenas içadas. 

Drama?

Mas é só um jogo, digo a uma mulher sorridente no caixa do banco onde fui pagar contas. Digo sem acreditar…

Só um jogo se eu não tivesse sido criada em volta de uma TV ligada, atenta ao Vasco do meu pai, depois embevecida pelo Flamengo do meu irmão, torcendo sem motivo algum por um Fluminense (esporadicamente). Só um jogo se eu não tivesse amado me divertir com Taffarel, Bebeto, Leandro, Romário, Rivaldo, Raí (lindo), Ronaldo, Branco, Leonardo, Robinho, até Dunga…

Como se eu não conhecesse os rostos que encontram nessa alegria uma de suas únicas alegrias.

Não quero escolher as alegrias de outrem.

Queria ser como aquele que diz que agora vamos deixar de acreditar que somos (só) o país do futebol, mas olha, eu acho que tristeza não ajuda em nada, que revolta cega nos leva a quebrar coisas, não a construí-las, que terrorismo, mesmo que poético, apenas ergue pensamentos, não um país. 

Que com alegria também nos tornamos mais exigentes, porque queremos mais alegria, e quiçá, felicidade. Que alienante e paralisante mesmo é uma tristeza dessa magnitude. Nos amolece mesmo as pernas a tristeza, alegria nos põe inteiros.

E para os que falam que não reparamos nos mortos do viaduto e sim na lesão do Neymar: quem está confundindo as dores é você, amigo, a nós cabem duas dores distintas, se não falamos na primeira pode ser justamente por achá-la mais dolorida, aprenda: calar nem sempre é não dar importância.

O que sei é que dói muito ter perdido, mas dói mais ainda não termos lutado de verdade. É só futebol, mas é parte importante de nossa identidade, nós tão diversos e tantos, nos unimos ali, e sem ufanismos, eu mesma acho patriotismo um perigo. A Alemanha sabe bem disso…

O texto está ruim, admito, mas o dia não está tão bom assim…um dia reescrevo. Ah se jogo também pudesse ser reescrito. Mas sabe que acho que pode? Mas nas canetas de pernas daqui a 4 anos. E dizem que tem até um gol chamado “gol de caneta”. Risos.

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