A vida circular procria

Você me encostou na parede de azulejos azuis do banheiro.

O boxe estava todo embaçado como meus olhos mornos e pequenos, perto dos seus.

Você fez aquela coisa que não pode ser dita, veio por trás e como sua língua é morna e embaçava toda a minha circulação sanguínea.

Virei um único ponto e te bati na cara e recebi seus esforços em me bater de maneira indolor.

Com suas mãos tão grandes.

Mudamos de lado e de personagens. Ou, simplesmente, fomos nós mesmos.

Puta. Piranha.Vagabunda. Vaca. Putinha. Nada disso me assusta, se antes houver a palavra minha. Sua.

Tão mulherzinha que vi minha coleção de Susies no escuro daquele quarto de motel.

Ontem o tempo não existe. Onde o tempo não existiu. Um perfeito não-lugar.

Um perfeito não lugar com um deque terrível com protuberâncias na parede, como se fossem esculturas comprovatórias que não, não estamos aqui para ver arquitetura.

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