A Vida Circular_ III

Recorro a clichês. E com absoluta leveza de alma e nenhuma preocupação com o que pode acontecer em relação a isso. Me chamarem de clichê? Acho agradável o som da palavra. E gosto da definição de Allain de Boton: ”The problem with cliches is not that they contain false ideas, but rather that they are superficial articulations of very good ones.” Por mais clichê que possa parecer citar Allain de Boton.

Esse trecho da Vida Circular, pensei em começá-lo contando que a cidade se oferece em placas, apelos, e barulhos de polis que se enfeita, se lustra, demole o velho e suave, o que é da altura que vemos sem erguer as cabeças, e em seu lugar, se prolonga até aonde o torcicolo alcança . “EM BREVE AQUI. O imóvel certo para você”. “Sua felicidade está a alguns passos daqui. Venha conhecer o apartamentos do seus sonhos”. “Seja vizinho da natureza”. “More no imóvel perfeito”. “Mude já”.

E a trilha sonora dessa enlouquecida corrida em busca do maior número de compradores é um techno batidão que faria inveja aos meninos do Chemical Brothers. Eu trabalho, até o início do mês que vem, numa casa que dá às costas_casa tem costas?_ para a construção do que vai ser a sede da Petrobrás. No Barro Vermelho. E passo por casas e por árvores, me perguntando até quando elas resistirão.

A respeito da estética dos cartazes das construtoras e dos seus tapumes e placas, eu prefiro não falar nada, porque sinto que serei agressiva.

A respeito da cidade não dar mostras de que vai melhorar com isso, e do meu termo, usado numa crônica, “cidade anabolizada” (por falar nisso, a gente usa aspas para citar a nós próprios?) eu não gostaria de repetir a mesma história.

O que me faz triste hoje é outro motivo, é que não sei se amo algo que está ainda se desconstruindo e se construindo. Então, não sei o que sinto.

O que me fez triste é o entrocamento no qual vivo agora. É essa ruela com bifurcação logo à frente. Não vou contar o que leio nas placas. Mas são muito diferentes. E não apontam para dentro de mim.

Terei de escolher.

Veremos.

Mando notícias.

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Um comentário em “A Vida Circular_ III

  1. “Eu trabalho, até o início do mês que vem, numa casa que dá as costas…”

    vc se pergunta sobre as costas da casa. e eu te pergunto sobre o que vem adiante, no início do mês que vem.

    novidades? bjuz

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