A Vida Circular II

O meu bairro me leva pela mão em minhas andanças. A vontade de me fazer estrangeira novamente me faz lembrar que cidades são uma só. Me faz querer acreditar nisso. Mas não. A cidade é tão pessoal e instransferível. Que sonho com mercados com tipos exóticos de curry, sonho com ruas onde homens e mulheres se vendem, em depósitos de navios atracados a esmo, em torres que nunca vi de baixo, só no ângulo logitudinal da mesma altura. Aquele ângulo irreal usado em tantas fotos de cartões postais. E preciso sair da cidade. E me perder nestes círculos. O máximo que faço, cansada e cheia da opressão de respirar o mesmo ar, é beber. Tomo grandes goles onde deveria me embriagar com as palavras. Onde deveria estudar, no meu quarto, carrego líquidos e torpores à cabeceira. Depois de ver os e-mails e falar com amigos à distância, e entre suas companhias tenho mais o olhar da cerveja a me embevecer. Vou dormir e temos festas para ir. Com as mesmas pessoas. E com essa tristeza imensa de reencontrar amigos que nunca de fato foram amigos. Que nunca se permitiram ouvir nada menos que elogios. E pessoas que não passam do “oi. Tudo bem”. E alguns galanteios de ocasião. É belo o museu que antes havia sido uma estação ferroviária. E agora ao invés de minério, ou pessoas, traz o tempo como passageiro. A tentativa de ser marcado e deixar suas marcas no tempo, que é a arte.

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