A vida circular procria

Fevereiro 4, 2009

Você me encostou na parede de azulejos azuis do banheiro.

O boxe estava todo embaçado como meus olhos mornos e pequenos, perto dos seus.

Você fez aquela coisa que não pode ser dita, veio por trás e como sua língua é morna e embaçava toda a minha circulação sanguínea.

Virei um único ponto e te bati na cara e recebi seus esforços em me bater de maneira indolor.

Com suas mãos tão grandes.

Mudamos de lado e de personagens. Ou, simplesmente, fomos nós mesmos.

Puta. Piranha.Vagabunda. Vaca. Putinha. Nada disso me assusta, se antes houver a palavra minha. Sua.

Tão mulherzinha que vi minha coleção de Susies no escuro daquele quarto de motel.

Ontem o tempo não existe. Onde o tempo não existiu. Um perfeito não-lugar.

Um perfeito não lugar com um deque terrível com protuberâncias na parede, como se fossem esculturas comprovatórias que não, não estamos aqui para ver arquitetura.

One Response to “A vida circular procria”

  1. Saulo Ribeiro Says:

    Susies colecionadas e não-lugares… bela arquitetura.


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